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Brasileiro sem ranking na ATP salva 8 match points, vence ex-top 40 e é campeão pela primeira vez

  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

Antes do início do ITF M15 de Vero Beach, Joaquim Almeida não tinha pontos no ranking da ATP. Morando em Orlando, o canhoto de 24 anos apareceu como 28º alternate na lista de espera do qualifying e conseguiu uma vaga de última hora no torneio. A partir dali, salvou oito match points ao longo da campanha, venceu um tenista ex-top 40 do mundo e terminou com o título do evento disputado nos Estados Unidos. O paraense conquistou seu primeiro troféu de simples na carreira após uma trajetória surpreendente.

- Tudo valeu a pena para conquistar este título. Foram 11 anos vivendo sozinho, perseguindo um sonho que muitos disseram que eu era louco, lunático ou até pior - postou o tenista.

Neste domingo, Joaquim Almeida derrotou na final o norte-americano Alex Rybakov, número 341 do mundo, por 2 sets a 1, com parciais de 6/2, 1/6 e 6/3. Depois de passar pelo circuito universitário dos Estados Unidos, o brasileiro tentou seguir a carreira profissional, mas precisou dar uma pausa para trabalhar em período integral e conseguir bancar os custos fora das quadras.

Sem pontos no ranking da ATP, Joaquim decidiu se inscrever no ITF M15 de Vero Beach, nos Estados Unidos. Como 28º alternate na lista de espera do qualifying, ele conseguiu uma vaga de última hora no torneio e fez uma atuação brilhante, a melhor de sua carreira.

- Eu já tive pontos no ranking, mas tive que começar a trabalhar em período integral e acabou que eu perdi todos os pontos que eu tinha. Eu tive que começar do zero. Estava na lista de espera para entrar nesse torneio. Eu fui mesmo sem estar fisicamente no meu melhor. No quarto jogo eu já tinha estirado a minha posterior, minha virilha. Eu estava destruído. Todo enfaixado na perna, com bandanas pra tentar segurar a dor, tomando remédio contra a dor. Eu não esperava esse resultado, né? Na verdade, eu não esperava nem possivelmente entrar no torneio. Mas consegui entrar e consegui fazer uma coisa histórica, revelou Joaquim.

O primeiro grande desafio veio nas quartas de final. O paraense enfrentou JJ Wolf, ex-top 40 do mundo, e viu seu adversário dominar a partida. Com o jogo praticamente perdido, Joaquim achou forças para se reerguer em quadra e buscar a virada.

- Eu estava perdendo por 6/0 e 2/0 quando dei uma bola curta. Ele chegou nela e acabou tentando me acertar. Naquele momento eu pensei: "Cara, estou perdendo de 6/0 e 2/0. Por que ele tentaria me acertar? O jogo já está ganho pra ele." Só que aquilo acabou me dando uma energia que eu já não tinha fisicamente. Eu estava dando o meu melhor. E acabou que ele me deu essa energia na hora em que eu precisava, e eu consegui virar o jogo.

Joaquim chegou à final após uma semana de superação em Vero Beach. Mesmo sem ranking ATP e vindo da lista de alternates do qualifying, o brasileiro emplacou vitórias importantes, salvou match points ao longo da campanha e foi avançando jogo a jogo até garantir presença na decisão do torneio. Nos momentos finais da briga pelo troféu, o tenista recebeu uma ajuda inesperada da arquibancada.

- Consegui ganhar o primeiro set. No segundo, senti muito fisicamente. Já no terceiro set, eu estava perdendo por 3/1 quando algo virou a chave para mim. Depois de um ponto longo, fui até a toalha me secar e uma mulher falou: “Lembra como você chegou aqui". Era uma mulher que eu não conhecia, uma torcedora que estava ali por mim nos Estados Unidos. Naquele momento, ela me trouxe essa lembrança e me deu uma energia enorme. A partir dali, eu não perdi mais nenhum game, consegui vencer e sair com a vitória. E no fim ficou tudo muito emocionante por causa da história toda. Eu consegui viver algo que não esperava, disse Joaquim.

Agora, com os primeiros pontos no ranking e uma campanha marcante na carreira, ele tenta transformar o momento em virada de chave no circuito. A expectativa é de que o resultado abra portas para mais oportunidades, maior estabilidade e a continuidade do projeto no tênis profissional em busca de evolução no ranking e espaço entre os melhores.

- Agora estou voltando ao ranking. Eu estava com zero pontos e agora tenho quinze. Quero continuar nesse sonho, buscando oportunidades para ter uma estrutura melhor e conseguir me preocupar menos com a parte financeira. Hoje eu preciso pensar muito nas contas que tenho para pagar. Meus pais não me bancam desde o ano passado. Então eu quero continuar perseguindo esse sonho e tentando encontrar oportunidades para conseguir me sustentar, jogar e me dedicar cem por cento ao esporte. Eu sempre me dediquei. Saí de casa aos 13 anos para viver esse sonho no tênis e quero continuar nessa caminhada até chegar ao top 100, completou.

 
 
 

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